Morando atualmente nos Estados Unidos, o carioca Lucas Frota não deixa suas raízes de lado, e faz questão de levar toda sua bagagem de referências brasileiras para os seus projetos musicais. A faixa “Aram Anga“, lançamento mais recente do DJ, é a prova disso! Na melodia, Lucas traz os vocais executados na língua Tupi-Guarani.

Além do acervo de referências, Lucas já apresentou seu novo gênero musical ao mundo, o “Baila Tech”, que mistura batidas de funk com o gênero do house music, e em especial, o tech house. Ao Latinos Brasil, Lucas contou mais sobre suas referências, criações e vivências fora do Brasil. Leia:

Atualmente, nós temos muitos cantores brasileiros tentando entrar no cenário musical norte-americano. Como é para você já estar inserido nesse meio?

Minha ingressão na cena norte-americana veio através da iniciativa de estudar música fora do país. Durante meu estudo, consegui fazer um networking muito grande, conhecer pessoas influentes e artistas extraordinários. Com certeza essa foi a minha grande porta de entrada para a música fora do Brasil. Na minha opinião, hoje o mais importante para ganhar relevância na cena é estar incluído no local, poder viver da cultura com todos, mostrando sua música, seu carisma e podendo correr atrás e estar próximo de pessoas que possam te alavancar.

Ainda nesse tópico, como são suas vivências como brasileiro no cenário musical norte-americano? Quais são as principais diferenças que você nota?

Eu acho que o cenário internacional, principalmente o norte-americano, abre muitas portas ao inovador e às novas gerações com ideias revigorantes. Obviamente tem que ser um som promissor, mas eles dão muita oportunidade para você trazer algo diferente, com as suas características e com as referências da cultura de onde você veio.

Como surgiu a ideia de mesclar batidas de funk com o gênero do house music?

Essa é uma ideia minha que já vem de muito tempo, mas eu sempre tive um receio de fazer, porque não sabia como seria visto no Brasil. Mas lá fora, o resultado foi super positivo e fico muito feliz de poder trazer essa característica inovadora e muito interessante para esse mercado, vestindo a camisa brasileira lá fora, e levar a essência do funk do Brasil, que tem um groove bem dançante, pro mundo da música eletrônica.

No cenário musical, quais artistas são suas principais inspirações?

Eu tento não me inspirar muito em artistas específicos, mas sim em ideias de algumas músicas. Sempre trago conceitos novos de diversas músicas com diferentes características para aprimorar em uma track original, com ideias novas. Não sigo artistas em específico, mas acho que posso dizer que me inspiro em mim mesmo (risos) nas minhas percepções dos sons e experiências.

Na faixa “Aram Anga”, você traz na melodia vocais executados na língua Tupi-Guarani. Como foi o processo de criação?

Essa faixa foi muito legal porque eu sempre quis criar algo com essas referências brasileiras, mas um desejo pessoal de incluir o Tupi-Guarani, com essa influência da cultura brasileira da nossa terra. Eu já vinha escutando muitas músicas do afro-house, que tem essa essência étnica e espiritualizada, então uni esses dois lados. Fiz algumas pesquisas e descobri essa frase “Aram Anga”, em Tupi-Guarani, que significa “Alma do Sol”, e quis incluir na música que já vinha com muitas características brasileiras como sempre e com um a mais da melodia do afro-house.

Além das parcerias que você já realizou, qual artista você tem o desejo de realizar um feat?

Diferente do que muitos possam achar, uma parceria completamente inovadora que eu gostaria muito de realizar é com o pai da Bossa Nova, Roberto Menescal, um ídolo para mim. Também outros artistas clássicos brasileiros, da Bossa Nova e MPB, tem vários nomes, mas o Roberto Menescal em especial.