Kali Uchis exalta raízes latinas em show único no Brasil
A apresentação de Kali Uchis em São Paulo foi como uma resposta às orações dos fãs. A cantora colombiana subiu ao palco do Vibra São Paulo na noite do último domingo (08) com um espetáculo cinematográfico, marcado por megaestrutura e vocais potentes. Sua passagem pelo Brasil com show único da turnê “The Sincerely, Tour” só reforçou o status de Kali Uchis de diva do pop da atualidade.
De volta ao país após três anos, desde sua apresentação no Lollapalooza Brasil, a artista realizou seu primeiro show solo em território nacional pela Live Nation, engana-se quem acha que la reina veio só. Além de um balé afiado, a noite contou com uma apresentação pocket de Urias. A cantora foi ato de abertura e entregou performances conceituas e intensas, apresentando seus maiores hits, como o viral “Voz Do Brasil”.
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Com casa cheia, não demorou muito para Kali se soltar e dar início a uma sequência quente de ritmo latino. Muito graças à mudança certeira da setlist. Para suas apresentações na América do Sul, a colombiana desenhou uma sequência de hits especiais para os fãs latinos. Com duração de aproximadamente 1h40, a artista revisitou toda sua carreira e dividiu o show em três atos.
As eras de Kali Uchis
No Ato I, Kali inicia o show em tom etéreo, descendo de um balanço, mas não demora muito para o ritme latino dominar o palco. E é esse o ritmo predominante da primeira parte da noite. Com a mudança na setlist, os fãs comemoraram a volta de “Frikitona” como intro, além da primeira apresentação ao vivo de seu último single “Muévelo“. Por mais elétrico e sensual seja esse primeiro bloco, Kali conseguiu mesclar elementos divinais, como a asa usada em “Igual Que Un Ángel“, feat com Peso Pluma.
Se o primeiro ato foi marcado pela latinidade de seus últimos álbuns, o Ato II se aprofunda na carreira e volta ao primeiro lançamento de estúdio “Por Vida” com singles como “Melting“. Além disso, esse bloco trouxe grandes sucessos da carreira da artista, como “Dead To Me” e as parcerias com Tyler, The Creator: “After The Storm” e “See You Again“. Para encerrar esse bloco, Kali trouxe toda a teatralidade da dança com plumas em “Moonlight“.
Já o Ato III se encaminha para o último álbum de estúdio, que nomeia a turnê: o “Sincerely,“. O último bloco se tornou ainda mais intimista com a troca de look quando Kali trocou o corset cravejado por um longo vestido lilás para atenção ficar apenas em sua voz e sua mensagem, sem danças ou espetáculos. Cortando até as expectativas de uma superprodução para seu maior hit, Kali cantou quase que à cappella “Telepatía“, apenas com o coro da multidão de fãs.
Teatralidade
Kali Uchis fez questão de trazer toda a estrutura de seu show completo para os fãs latinos, proporcionando uma experiência única. Além de sua voz potente e uma equipe de dança, Kali apostou na teatralidade e objetos para trazer suas músicas à vida. Desde o balanço que a trouxe ao show, à moto estacionada. Desde asas de anjo e dança com plumas, à apresentação em cama, divã e xícara da realeza. Para muito além do potencial vocal e letras emotivas, Kali transforma música em teatro. Assim como no tablado, a artista não fez um show vazio e trouxe uma mensagem clara: suas raízes latinas. Em um momento instável politicamente nos Estados Unidos, em pleno dia de Super Bowl, a artista criada na Colômbia trouxe um vídeo emocionante entre os últimos atos sobre sua herança latina e o papel na sociedade. O único pecado de Kali em sua noite celestial foi reduzir a América Latina em território hispanofalante e não se esforçar em se comunicar com os fãs em outro idioma que não o inglês, ou traduz os vídeos compartilhados no telão. Mesmo com pouca interação com o público e vídeos sem tradução, a mensagem transmitida foi clara: juntos, a América Latina é mais forte e ela se fez a porta-voz dessa geração.

Transformando (quase) tudo em conteúdo e compartilhando de tudo um pouco. Jornalista paulistana e capricorniana.




