Conheça Chameleo, a grande aposta do cenário Indie pop no Brasil
Chameleo é uma das grandes apostas do cenário Indie pop no Brasil, e o cantor vem conquistando seu espaço cada dia que passa. Somando grandes números em suas redes sociais, Chameleo tem mais de 50 mil seguidores em sua conta do Instagram, mais de 5 milhões de views em seu canal do Youtube e 147 mil ouvintes no Spotofy.
O cantor gosta de mostrar sua versatilidade e deixar claro que tem muita personalidade, fugindo do comum e produzindo grandes obras de artes, como seu último lançamento “Nhac”, participação de Johnny Hooker, que já conta com mais de 100 mil visualizações e tem uma estética incrível, vale a pena conferir:
Ele tem grandes parcerias em seu “currículo”, como Pabllo Vittar, na música “frequente(mente)” e Carol Biazin, na música “Enigma”. Em outubro de 2021, lançou seu primeiro álbum, titulado “ECDISE”, que trás grandes nomes como parceria, entre eles Johnny Hooker, Number Teddie, Konai e claro, Pabllo Vittar e Carol Biazin.
Chameleo é um artista que vem ganhando ascensão na indústria musical e até da moda, e nós do Latinos Brasil conversamos com o cantor em um super bate-papo, que nos contou um pouco de sua trajetória, o processo criativo de seus projetos e o que podemos esperar dele para este ano.
ENTREVISTA COM CHAMELEO
LB: Vamos dar início Chameleo, a minha primeira pergunta é, como que a música surgiu na sua vida?
Chameleo: Legal, então eu entrei no teatro com 7 anos, eu sabia que eu queria estar no palco, no começo eu achei que seria atuando e foi lá que eu aprendi a tocar guitarra, em uma peça de teatro que era tipo um remake daquele filme “Escola de Rock” e aí eu tive que aprender a tocar guitarra pra fazer essa peça, o básico né, e ali o que eu aprendi, foi paixão a primeira vista. A curva foi pendendo mais para o lado da música, atuar também é uma paixão muito grande, acho que tá tudo meio relacionado né, a moda também, música, dança, atuação, são formas de expressão artística, então desde muito cedo eu sabia que queria trabalhar com arte, me expressando, e as coisas foram acontecendo para que fosse a música mesmo. Depois disso, eu tinha uns 9 anos quando foi essa peça e eu tinha que tocar guitarra, depois eu fui para o violão e já comecei a escrever também, a desenvolver esse lado, e foi indo, mas sempre soube, sempre foi algo que eu tinha certeza que ia ser com isso, não tinha como ser outra coisa, nunca passou pela minha cabeça.
LB: Bom, você é um artista que tem muita personalidade, não tem nem como não citar isso, e como funciona o seu processo criativo de cada projeto que você faz? Acredito que por você ser muito criativo, cada projeto você se joga muito.
Chameleo: Legal, varia muito do que eu estou vivendo no momento, o que eu tô sentindo, então acho que o processo criativo, são coisas que me inspiram, é tudo mesmo, seja o boy que eu conheça, uma situação que eu tô passando eu comigo mesmo, então varia muito, mas o que eu tô sempre fazendo anotando no celular frases, pensamentos, quando eu paro pra sentar e escrever músicas mesmo, eu entro nos meus notes e vou dissipando o que eu quero falar, como a forma que eu quero falar, mas varia muito, sempre é algo muito pessoal. Desde que eu comecei, no início eu explorava mais um alter ego, minhas músicas eram em inglês, era uma outra “pira”, a essência ainda tá nas músicas hoje em dia, mas hoje em dia é muito mais pop, muito mais comercial, pra mim é auto aceitação também, de ser uma bicha afeminada mesmo e foi ali que virou a chavinha pra eu realmente me libertar e ser eu, eu mesmo, e não um alter ego sabe? Um personagem, então o Chameleo hoje sou eu, como eu sempre fui, esse é o meu jeito e quando eu comecei a abraçar mesmo foi quando as coisas começaram de fato a acontecer.
LB: Seu primeiro EP foi gravado enquanto você morava nos EUA certo, como que foi fazer esta gravação?
Chameleo: Eu acho que no primeiro EP eu ainda era muito inseguro, obviamente, era a primeira vez que eu estava botando a voz, e eu ainda não era 100%, eu não me aceitava, não me abraçava 100% como pessoa mesmo, como personalidade, acho que as gays afeminadas vão entender muito, aquele momento que você lutou contra. Eu sempre fui muito ok com o fato de eu ser gay, mas foi um período óbvio, juventude, era super novinho, a gente vive em uma sociedade mega machista, dentro da nossa comunidade também infelizmente.
É triste, então foi um momento, eu explorava um alter ego, preferia ir para um lado esquisito do que para o lado gay propriamente dito, e isso veio amadurecendo, eu vim amadurecendo e com um processo de auto aceitação mesmo que eu passei, e passo porque acho que isso é diário e não para, foi aí que eu comecei a falar “não agora eu vou dar a cara mesmo, mostrar quem eu sou e a minha personalidade pra música, não só pra rede social e entre meus amigos e as pessoas que me conhecem, vou começar a fazer o que eu realmente sou na música”, e ai já pensando no pop, eu sempre fui o gayzinho que ficava no cabo de vassoura ,com a toalha amarrada na cabeça, dançando Britney, Pussycat Dolls, então o pop sempre esteve muito em mim, então nesse período que eu ainda não era 100% comigo, obviamente eu queria explorar um outro lado e enfim, com o tempo foi muito natural também, eu ter vindo pra São Paulo foi uma grande chave também.
LB: Aí, perfeito, acho que a partir do momento que você se aceita, que consegue identificar, tudo muda, tudo facilita na verdade.
Chameleo: Sim, tudo facilita, segue o fluxo natural das coisas e você tá lutando contra quem você é, sua essência, é óbvio que vai ficar tudo mais embaralhado, não é natural, tá indo contra e é muito louco quando eu falei “é isso, vamos, deu certo”, as coisas começaram a fluir. As coisas começaram a fluir de fato, fazem 6 anos, desde que eu lancei a minha primeira música e de fato mesmo eu só fui, só começou a dar certo mesmo de fato a 2 anos, na pandemia, que aí eu já era eu, eu mesmo, já mostrava quem eu era.
LB: Incrível. Algo que me transparece, que eu consigo ver bastante, é a moda, que está presente na sua vida, tanto em cabelo, quanto em maquiagem, looks principalmente, então eu queria entender o que é a moda na sua vida?
Chameleo: Que tudo, que legal. Hoje em dia eu fico muito feliz de isso ser nítido, porque a moda é uma paixão tão grande quanto a música, quanto atuar, então, mais uma vez entra numa forma de expressão artística, eu sempre gostei de me vestir diferente, sempre fez parte da minha personalidade, e eu nunca me privei a só um estilo, ou hoje em dia só a um gênero, hoje eu gosto de explorar e fazer as pessoas se questionarem também. Eu já trabalhei com moda, indiretamente assim, então é uma paixão muito grande, eu acompanho de fato, as marcas, os desfiles, porque é uma paixão muito grande minha, então pra trazer para o Chameleo, pra persona, é muito natural também e sempre fiz muita questão de ter esse diferencial também, porque eu sinto que como Chameleo, eu consigo misturar tudo. A música e a moda andam muito de mão dada, uma complementa a outra, ajuda a contar melhor, visualizar um todo, então eu amo demais e fico feliz que aos poucos também estou conseguindo ser notado por esses lugares de moda que também sempre foi meu sonho.
LB: Como que foi o desenvolvimento de frequente(mente) com a Pabllo Vittar? Clipe que tem muita moda, muita referência, coreografia. Então queria entender como que foi o processo dessa música e por que a Pabllo?
Chameleo: A história é muito louca, toda vez que eu conto nem eu acredito, mas eu e a Pabllo já éramos muito amigos antes de rolar um feat, e entre a gente ela já falava “amigo a gente vai fazer uma música juntos”, e eu beleza, a hora que for pra acontecer vai acontecer. Eu sempre mando música pra Pabllo que eu vou lançar, pra gente trocar figurinha mesmo e eu mandei essa música pra ela pra saber o que ela achava, e ela me mandou um áudio falando que ela tinha amado e que se eu topasse ela queria cantar comigo nela, então é muito louco, porque o convite foi inverso, o que torna mais especial pra mim, pois foi algo muito natural de fato, e aí as coisas foram muito rápidas, a música já estava praticamente finalizada quando eu mandei pra ela a minha parte da música, ela já escreveu a parte dela no mesmo dia, em menos de uma semana ela já gravou, e no mesmo mês a gente gravou o clipe que eu já estava desenvolvendo com o Federico e foi assim, engata a primeira e vai, e o resultado é surreal, toda vez que eu assisto me causa um super impacto.
LB: E falando um pouquinho sobre Enigma, com a Carol Biazin, queria saber como que foi o processo? A estética, que é uma estética preto e branco, como que foi o processo?
Chameleo: Legal, com a Carol já foi mais na cara de pau mesmo. Eu fiz a música e eu estava com um amigo dela, ele falou “meu Deus, essa música é a cara da Carol”, e a gente já se seguia, já se falava por mensagem, eu já tinha falado que a gente tinha que fazer um feat e ela “bora”, então cheguei e mandei “Carol, tenho uma música pra te mostrar e se você achar que é sua vibe, se você se vê nela, bora fazer, fazer parte do meu álbum”, no que eu mandei ela escutou e falou amigo “é óbvio, claro”, e aí quando ela mandou a parte dela, eu fiquei chocado, porque a Carol tem uma voz angelical, 50 camadas de voz, nossa Ariana Grande, um coro que ela mesmo fez e ela gravou sozinha em casa. Enfim, a Carol é fenomenal.
A estética do clipe foi uma diretora de Curitiba que eu queria trabalhar, eu vim de lá, então queria fazer com uma equipe de lá, a Carol também é do Paraná, e essa diretora (Letícia Futata) tem estética toda em preto e branco, então ela apresentou a ideia, se a gente topava fazer nessa estética dela, e a música que for pra ter um clipe preto e branco tinha que ser essa, porque é uma música mega enigmática, toda “chiquetosa”, e foi assim que a gente chegou nessa conclusão.
LB: Sobre seu álbum Ecdise, gostaríamos de entender um pouco sobre o processo criativo dele.
Chameleo: Arrasou. Ecdise é o nome dado a troca de pele dos répteis e o meu nome é Chameleo, vem de camaleão, então simbolicamente a troca de pele representa a transformação, regeneração, porque toda vez que os répteis trocam de pele eles ficam com uma pele mais forte, mais lisa, mais vibrante, então simbolicamente faz muito sentido primeiro pra correlacionar o nome, pra galera entender de onde que vem e porque passei por um processo de transformação muito grande a 3 anos atrás, eu passei por um câncer, então naquele momento realmente tudo mudou pra mim, e até aquilo que a gente estava conversando antes da minha auto aceitação, de quem eu sou, veio muito naquele momento também, então foi um período de uma transformação absurda, da minha versão 2.0 realmente, então eu queria muito trazer esse período da minha vida importantíssimo pra eu me moldar como ser humano e como artista, principalmente para o meu primeiro trabalho, meu primeiro álbum, mas também não queria que fosse um álbum triste, um álbum, porque eu não sou, gosto de falar de coisas mais profundas, mas gosto de falar de putaria, de coisas mais banais também pra gente dançar, por isso o álbum é muito eclético, tem de tudo ali. Cada faixa explora uma mistura de gêneros e referências diferentes porque eu sou muito essa pessoa, então acho que no álbum eu consegui transmitir bem essa ideia de não se apegar a uma coisa só, seja gênero musical, a maneira de se vestir, a forma que você, o seu cabelo enfim, a forma que você se enxerga e … é que as vezes eu vou assim na cabeça.
LB: Ah, show. Você explicou um pouquinho sobre seu nome, mas queríamos que você falasse mais um pouquinho do significado de Chameleo?
Chameleo: Claro, Chameleo vem de Camaleão, eu sou apaixonado por répteis desde de criança, já criei muitos répteis, já pensei na minha fase adolescente ali, estava fazendo teatro, mas comecei a me aproximar muito dos répteis e pensei que talvez eu fosse estudar biologia, então é uma paixão muito grande, eu sou fascinado por eles e principalmente o camaleão, por estar sempre mudando de cor, sempre se adaptando, então fez muito sentido, e meu nome é Leo, então camaleão, Chamaleo é a pronuncia de camaleão em inglês com o meu nome Leo, que lá é “Lio”, Chama “lio” de Leo, é um significado maluco, mas acho que dá pra entender assim, principalmente a simbologia por trás do camaleão.
LB: Perfeito, e para finalizar, o que podemos esperar de Chameleo para 2022?
Chameleo: Olha, muitos shows se Deus quiser, agora aliviando a pandemia, com todo mundo vacinado, muitos shows, eu realmente gosto de ter essa troca pessoalmente com a galera que consome a minha música, que me acompanha e já estou escrevendo músicas novas também, clipes se Deus quiser, tô indo atrás de verba porque é aquele babado de ser artista independente, mas não vai parar, tem lançamento programado, vários lançamentos programados.
E aqui encerramos mais uma entrevista no Latinos Brasil, e te convidamos a conhecer ainda mais o trabalho de Chameleo:

Jornalista, paulista e completamente apaixonado pela cultura Latina.



