A confirmação de Bad Bunny como atração do show do intervalo do Super Bowl é mais que um feito artístico. É um acontecimento histórico, simbólico e profundamente político. Trata-se do primeiro show do intervalo totalmente em espanhol no maior evento esportivo dos Estados Unidos que acontece este domingo (8), e isso, por si só, já desmonta qualquer tentativa de minimizar sua relevância.

Ainda assim, parte do público insiste em tratar o momento como “superestimado”, ignorando dados, impacto cultural e até efeitos econômicos concretos.

Emma McIntyre/Getty Images

Representatividade latina no maior palco do entretenimento global

Bad Bunny sobe ao palco do Super Bowl como artista porto-riquenho, cantando em espanhol, defendendo sua cultura e se recusando a diluir sua identidade para agradar o mercado estadunidense. Em um país que atravessa debates intensos sobre imigração, xenofobia e apagamento cultural, sua presença ali é um ato de afirmação.

O próprio artista deixou claro que o show dará destaque à cultura de Porto Rico, e isso é tão coerente com toda sua trajetória recente: da decisão de deixar os Estados Unidos de fora da turnê, ao discurso crítico feito no palco do Grammy, passando pela forma como constrói sua obra e seus visuais.

Não por acaso, a escolha de Bad Bunny gerou reações negativas de setores conservadores ligados a Donald Trump, incomodados com um artista que canta em espanhol, defende diversidade e ocupa um espaço historicamente reservado a performances anglófonas.

Esse incômodo é parte da confirmação do impacto.

“Debí Tirar Más Fotos”: um Álbum do Ano que cumpre todos os critérios

Ignorar a força de Debí Tirar Más Fotos é fechar os olhos para o óbvio. O álbum foi:

  • O mais escutado, pesquisado e celebrado do ano

  • Aclamado pela crítica internacional

  • Coeso, bem produzido, bem escrito e sustentado por um storytelling audiovisual sólido

  • Carregado de crítica social e posicionamento político

  • Vencedor do Grammy de Álbum do Ano, sendo o primeiro disco inteiramente em espanhol a conquistar a principal estatueta

Além de um sucesso comercial, é um projeto fonográfico que dialoga com identidade, colonialismo, pertencimento, apagamento cultural e orgulho latino. Cumpre, com sobra, todos os critérios que definem um verdadeiro álbum do ano.

Impacto real: Bad Bunny como ativo econômico de Porto Rico

A relevância de Bad Bunny é mensurável. O lançamento de Debí Tirar Más Fotos e a residência “No Me Quiero Ir de Aquí”, realizada em San Juan, movimentaram cerca de US$ 380 milhões na economia de Porto Rico em 2025.

Com um PIB estimado em US$ 125 bilhões, esse impacto representa aproximadamente 0,30% da economia da ilha, beneficiando setores como:

  • Turismo

  • Hotelaria

  • Transporte

  • Serviços

  • Arrecadação tributária

Somente a residência de 31 shows no Coliseu José Miguel Agrelot gerou US$ 176,6 milhões em impacto direto, segundo estudo da Universidade de Porto Rico–Río Piedras. Já a Discover Puerto Rico estima outros US$ 200 milhões em gastos turísticos relacionados.

Bad Bunny além de cantar sobre Porto Rico move também a economia do país, amplia sua visibilidade global e reposiciona a ilha no mapa cultural do mundo.

Um artista que não pede licença

Talvez o maior incômodo para alguns seja justamente esse: Bad Bunny não negocia sua identidade. Ele ganha o Grammy nos Estados Unidos, critica o governo no palco, deixa o país fora da turnê e, agora, encerra esse ciclo se apresentando no Super Bowl, cantando em espanhol, celebrando sua cultura e transformando o maior espetáculo da NFL em um espaço latino.

O Super Bowl como coroação

A apresentação de Bad Bunny no Super Bowl é a consequência de uma obra consistente, de um álbum acima da média, de uma carreira que alia sucesso popular, crítica, posicionamento político e impacto econômico real.

Minimizar isso é ignorar dados, história e contexto. Bad Bunny está redefinindo o que significa ser um artista latino em escala global, e o Super Bowl, gostem ou não, é apenas mais um palco que precisou se adaptar a ele.

O cantor virá ao Brasil para a turnê “DTMF World Tour“, que inclui duas apresentações no Brasil, nos dias 20 e 21 de fevereiro, no Allianz Parque, em São Paulo. Os ingressos estão à venda pela Ticketmaster