Alma Djem e Tato, do Falamansa, regravaram “Sobradinho” com alerta ambiental e força poética
Em tempos de emergência climática, a música se torna uma poderosa ferramenta de conscientização — e é nessa vibração que o Alma Djem lança “Sobradinho”, releitura do clássico de Sá & Guarabyra, agora em parceria com Tato, vocalista do Falamansa. A faixa integra o novo EP “HARMONIA”, lançado em 16 de maio como parte da terceira etapa do projeto “Acústico em São Paulo”.
Gravada originalmente em 1977, “Sobradinho” é uma crônica sensível e crítica sobre os impactos sociais e ambientais da construção da barragem no Rio São Francisco, no norte da Bahia. A canção marcou época ao retratar o êxodo forçado de comunidades inteiras e, décadas depois, segue atual como símbolo dos dilemas entre progresso e preservação. Agora, nas vozes de Marcelo Mira e Tato, a música ganha nova camada de emoção e urgência.
“Sempre quis regravar ‘Sobradinho’ pela mensagem ecológica e social fortes, e por contar uma história real do nosso nordeste, com a qual tenho identificação sendo filho e neto de alagoanos”, comenta Marcelo Mira. Já Tato, que também assina composições com Mira para artistas como Jorge & Mateus e Planta & Raiz, celebra: “Considero um hino nordestino. Participar dessa gravação foi uma honra e também um atestado de representatividade.”
A parceria entre Mira e Tato vem de longa data — começou em 2005, nos tempos do Rock Gol da MTV, e gerou colaborações como a faixa “Teu Lugar”, regravada pelo Falamansa, e outras canções autorais presentes no próprio EP. A química musical entre os dois se manifesta com potência em “Sobradinho”, que, além de nostálgica, soa atual e necessária.
O EP “HARMONIA” traz ainda outras quatro faixas inéditas em clima acústico, todas com a pegada envolvente do reggae do Alma Djem. O projeto é o terceiro volume do “Acústico em São Paulo”, gravado em julho de 2024 na capital paulista e que reuniu nomes como Maneva, Macucos, Chimarruts e Vitor Kley. A direção de vídeo é de Rodrigo Pysi, conhecido por clipes de grandes artistas da música nacional, e a produção musical é assinada por Juninho Sarpa, experiente no reggae e no sertanejo.
Com arranjos que misturam reggae, forró, rap e MPB, o EP une tradição e inovação em nome de um futuro mais consciente. Em “Sobradinho”, essa fusão se torna ainda mais simbólica — é o passado que retorna para lembrar que não dá mais para ignorar os sinais da natureza. Porque, como diz a canção: “O sertão vai virar mar, dá no coração / O medo que algum dia o mar também vire sertão.”

Jornalista, paulista e completamente apaixonado pela cultura Latina.




